JOÃO PESSOA – A Justiça da Paraíba condenou, no último fim de semana, o influenciador digital Hytalo Santos e seu companheiro, Israel Vicente (conhecido como Euro), por crimes de exploração sexual e produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A decisão, proferida no dia 22 de fevereiro de 2026, é um desdobramento de investigações que ganharam fôlego nacional após denúncias sobre a “adultização” de menores nas redes sociais.
As Penas e a Sentença
O magistrado responsável pelo caso aplicou penas distintas aos réus, mantendo a prisão preventiva de ambos, que já se encontravam detidos desde agosto do ano anterior:
- Hytalo Santos: Condenado a 11 anos e 4 meses de prisão em regime fechado.
- Israel Vicente (Euro): Condenado a 8 anos e 10 meses de prisão.
Além da reclusão, a sentença fixou uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil, além de 360 dias-multa para cada um. O juiz descreveu o ambiente criado pelos influenciadores como um “sórdido reality show”, onde jovens eram inseridos em contextos adultos, com fornecimento de bebidas alcoólicas e negligência educacional e alimentar, visando apenas o lucro e o engajamento digital.
Contexto e Repercussão
O caso atingiu o ápice após um vídeo do youtuber Felca, publicado em 2025, expor o que chamou de “circo macabro”. A denúncia apontava que Hytalo utilizava adolescentes — a quem chamava de “crias” ou “filhas” — como “moeda de troca” para atrair audiência, oferecendo bens materiais como iPhones e carros em troca da exposição de suas imagens em contextos erotizados.
A condenação foi celebrada por entidades de proteção à infância e pelo próprio Felca, que afirmou em suas redes: “A conscientização que fizemos importa. A justiça pode demorar, mas chega”.
O Posicionamento da Defesa
A assessoria jurídica de Hytalo Santos e Euro informou que irá recorrer da decisão. Em nota, os advogados alegam que a sentença ignorou provas apresentadas durante a instrução processual e sugerem que houve “traços de preconceito” no julgamento, citando a menção desnecessária à orientação sexual dos réus no despacho.
Um pedido de habeas corpus segue em análise pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), com julgamento previsto para esta semana, o qual a defesa acredita que poderá reverter a manutenção da custódia preventiva.
